Gosto de sofrer. Sim, vocês leram certo, eu gosto de sofrer. Gosto quando meu corpo dói. Fiquei viciado nisso.
Esses dias mesmo, meu corpo doía tanto, mas tanto, e eu me gemia de prazer. Era a dor da alegria, já tiveram? Ri tanto, mas tanto que minha barriga doía demais. Eu chorava de tanto rir. E eu queria mais. Ríamos descaradamente, primeiro da graça de um ou outro, e logo depois ríamos das próprias risadas que dávamos, “num indo e vindo infinito”. E quando vinha o silêncio, nos olhávamos e outra dose do vício vinha para fazer com que nossos corpos doessem mais um pouco.
Outro dia ainda meu corpo doía. Era de tanto subir as escadas do toboágua e de ralar a perna e os braços nas beirolas do tobogã. E eu queira mais. Subia uma, duas, cinco, dez, quinze vezes. Minhas pernas não tinham mais forças, mas eu não parava de subir e de deslizar com um sorriso estampado no rosto, até cair na água gelada do balneário. Sofrimento total! Dor de prazer.
E meu coração também dói. É de tanto amar minha esposa. Quando ela sai e demora a voltar, meu corpo dói. Uma dor amorosa, se é que me entendem. Quero que doa mais e mais forte, a cada novo dia, pois quero amar mais.
E eu desejo ESSA dor a todos vocês. É bom demais. Allende
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2 comentários:
Um dia até cheguei a pensar que você ia ter um treco de tanto rir, mas não sabia que chegava a ter dor. O texto é ótimo e a perpectiva do vício de sentir dor é no mínimo inusitada. Ah... como é bom saber que quer continuar a amar. Tb te amo na dor e na alegria. Bj
Que lindooooooooooooooo! bjos, Liane
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